PBH apresenta plano para o período chuvoso 2026/2027 em Belo Horizonte

Para o período chuvoso 2026/2027, que vai de outubro a março, a Prefeitura de Belo Horizonte se preparou em diversas frentes, baseada em um modelo de governança integrada, zeladoria intensiva e mobilização contínua. O Grupo Gestor de Riscos, Desastres e Eventos Climáticos Extremos (GGRDECE) iniciou as atividades em 5 de outubro, apresentando as ações já realizadas pela PBH e fortalecendo a articulação entre os órgãos municipais envolvidos na prevenção e no enfrentamento de situações de risco.

O GGRDECE é responsável por acompanhar todas as ações durante o período chuvoso. Composto por técnicos e especialistas de diversas secretarias, o grupo monitora os efeitos das chuvas e define medidas emergenciais. O trabalho conjunto amplia a prevenção, a preparação e a resposta a ocorrências provocadas principalmente pelas chuvas intensas, como alagamentos, inundações, enxurradas, quedas de árvores e deslizamentos. A integração agiliza o compartilhamento de informações e a atuação coordenada das equipes diante de eventos que possam colocar a população em risco.

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  • O monitoramento ocorre 24 horas por dia no Centro de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), onde o grupo debate ações e analisa os efeitos dos eventos climáticos. Representantes de 20 órgãos públicos acompanham, por meio de mais de 4,5 mil câmeras, o que acontece na cidade em tempo real, incluindo o nível dos córregos e a identificação de quedas de árvores, alagamentos e outras ocorrências.

    O subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Elcione Menezes Alves, afirmou que cada órgão faz sua parte para tornar a cidade mais resiliente. “Daqui para frente, é plantão 24 horas por dia, todos os dias da semana. É o famoso 24/7”, destacou. Ele ressaltou a importância do engajamento social, afirmando que a Defesa Civil depende da ação da população e que o não cumprimento das recomendações pode resultar em desastres.

    Obras e investimentos para prevenção e mitigação de risco

    A Prefeitura mantém diversas ações para reduzir os impactos das chuvas, com foco em obras de drenagem, macrodrenagem e contenção. Essas obras ampliam a capacidade de escoamento das águas, protegem áreas sujeitas a erosões e previnem alagamentos e inundações.

    Entre 2025 e setembro de 2026, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) concluiu intervenções em várias regiões, incluindo implantação e recuperação de sistemas de drenagem, adequação de redes e estruturas hidráulicas, e proteção de áreas urbanas. Destacam-se a recuperação do sistema de drenagem no Vale do Jatobá, no Barreiro, obras na Rua dos Custódios, no Bairro Beija-Flor, e intervenções na Rua Nízio Torres, no Bairro Ouro Preto, Pampulha.

    Na região Norte, foi concluída a intervenção no Ribeirão do Onça, com cercamento do Parque Ciliar e adequações no sistema de esgotamento sanitário. Também foi finalizada a primeira etapa da urbanização da Rua Maria de Lourdes Pinho, com drenagem e pavimentação.

    Grandes obras estruturantes

    A Prefeitura retoma grandes empreendimentos de macrodrenagem para reduzir riscos em áreas historicamente afetadas. Um dos principais projetos é a etapa dos grandes reservatórios na região de Venda Nova, que otimiza o sistema dos córregos Vilarinho, Nado e do Ribeirão Isidoro, com dois reservatórios subterrâneos: Vilarinho 2 e Nado 1. Cada reservatório tem capacidade para cerca de 105 milhões de litros de água. O investimento total é de R$ 263 milhões, financiado pela Caixa Econômica Federal.

    A licitação para retomada das obras do Reservatório Vilarinho 2 está em curso, com cerca de 50% de funcionalidade e contrato para instalação e operação das bombas. O Nado 1 está em revisão de projeto, com previsão de reinício em 2027.

    Outra intervenção é a 1ª etapa das obras do Ribeirão Pampulha, na Praça das Águas, região Nordeste. O projeto inclui estrutura hidráulica na confluência do Ribeirão Pampulha com o Córrego Cachoeirinha, com capacidade para armazenar aproximadamente 27 milhões de litros, além de adequações viárias e remanejamento do interceptor de esgoto. O investimento previsto é de R$ 78 milhões.

    Obras em andamento ampliam capacidade de drenagem

    Na Avenida Cristiano Machado, a 2ª etapa das obras do Ribeirão Pampulha prevê a implantação de um canal paralelo sob a pista no sentido Centro-bairro, além do remanejamento do interceptor de esgoto. O contrato, que inclui o viaduto da Avenida Sebastião de Brito, soma R$ 261 milhões, com previsão de conclusão em 2028.

    No Barreiro, a Prefeitura implanta um novo sistema de drenagem na Praça Deputado José Raimundo e vias do entorno, no Bairro Tirol. A intervenção, iniciada em março de 2026, inclui novas redes de drenagem para melhorar a eficiência das bacias de detenção Olaria e Jatobá. O investimento é de R$ 14,7 milhões, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027.

    Outra frente é o Parque Ciliar do Onça, na região Nordeste, com licitação em andamento. O projeto prevê recuperação ambiental e integração urbana e social das comunidades às margens do Ribeirão do Onça, com intervenções de drenagem, mobilidade, esporte, lazer e paisagismo. O valor estimado é de R$ 122,3 milhões.

    Na Pampulha, a Prefeitura concluiu a licitação para urbanização e requalificação da Avenida Francisco Negrão de Lima, incluindo recuperação do sistema viário, implantação e adequação da rede de drenagem, melhorias para circulação de veículos e pedestres, e urbanização do trecho entre a Avenida Otacílio Negrão de Lima e a Rua Jornalista João Augusto. O investimento é de R$ 35,8 milhões, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2028.

    Serviços de zeladoria urbana e manutenção de arborização

    Para prevenir alagamentos e garantir segurança, a Prefeitura realiza manutenção permanente da drenagem urbana. Entre janeiro e agosto de 2026, foram limpas 87.736 bocas de lobo, retiradas 1,4 mil toneladas de resíduos das redes de drenagem, desobstruídos 54,6 km de tubulações e substituídas 1.430 grelhas danificadas.

    As ações de manutenção da arborização urbana incluem poda, supressão e replantio, com investimento previsto de R$ 44 milhões em 2026. No mesmo período, foram realizadas 12.834 podas, 3.697 supressões, 1.356 destocas e 250 replantios. As supressões ocorrem conforme avaliação técnica.

    Ações de prevenção em áreas de risco

    A Prefeitura investe continuamente em obras de mitigação de risco pelo Programa Estrutural em Áreas de Risco (Pear), que atua há mais de 30 anos. O programa realiza vistorias, obras de eliminação de risco geológico, manutenção e atividades preventivas em parceria com a comunidade.

    Em 2026, a Urbel realizou 1.149 vistorias e concluiu 89 intervenções para mitigação de risco geológico em todas as regiões da cidade. Outras 116 obras estão em andamento. Antes do período chuvoso, os trabalhos são intensificados, focando na prevenção e conscientização dos moradores de vilas e favelas em áreas de risco.

    Operação Olha a Chuva

    A Operação Olha a Chuva, conduzida por técnicos da Urbel em parceria com voluntários dos Núcleos de Defesa Civil (Nudec) e Núcleos de Alerta de Chuvas (NAC), distribui cartilhas educativas, instala faixas informativas e realiza ações de mobilização, como uso de moto de som para orientações de prevenção.

    A Urbel acompanha índices pluviométricos e repassa alertas aos voluntários comunitários. Também monitora moradias com sinalização preventiva, instala lonas em encostas, isola cômodos, realiza obras emergenciais e, quando necessário, efetua remoções preventivas, temporárias ou definitivas.

    Famílias em áreas de risco alto ou muito alto, sem possibilidade de controle técnico, são removidas. Para saída imediata, recebem Bolsa Moradia na modalidade Abono Pecuniário Emergencial. Posteriormente, podem indicar novo endereço para vistoria, garantindo moradia segura até reassentamento definitivo.

    Vistorias e atendimento à população

    A população pode solicitar vistoria ao identificar sinais de risco, como rachaduras no solo ou casas, inclinação de muros e barrancos ou trincas. O atendimento ocorre pelo telefone 3277-6409, de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Em emergências fora desse horário, o contato é pelo número 199, da Defesa Civil.

    Limpeza urbana e monitoramento de áreas sensíveis

    A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) realiza ações preventivas durante todo o ano para reduzir impactos do período chuvoso. A limpeza dos córregos evita acúmulo de resíduos, assoreamento e obstrução da rede de drenagem, reduzindo riscos de alagamentos.

    Entre janeiro e setembro de 2026, a SLU retirou 4,3 mil toneladas de resíduos dos córregos, incluindo materiais descartados irregularmente e vegetação retirada em capina e roçada. Os córregos são limpos no mínimo três vezes por ano.

    A SLU também realiza ações educativas junto às comunidades próximas, orientando sobre descarte correto e alertando sobre prejuízos do lixo nos cursos d’água.

    Antes do período chuvoso, a SLU executa operação específica no Ribeirão Arrudas para retirar resíduos acumulados, minimizando impactos do descarte irregular e contribuindo para o escoamento da água. Em 2026, foram retiradas 42,7 toneladas de resíduos, incluindo móveis, eletrodomésticos, garrafas PET, sacos de lixo, restos de poda, entulho e animais mortos.

    A SLU mantém monitoramento e limpeza contínua em áreas sensíveis a alagamentos, removendo resíduos que possam obstruir galerias e redes pluviais. Para o período chuvoso, prepara planejamento operacional para respostas rápidas, com equipes em todas as regionais, incluindo plantões aos domingos e feriados conforme previsão da Defesa Civil.

    Trânsito e transporte durante o período chuvoso

    Equipes da BHTrans e da Superintendência de Mobilidade (Sumob) adotam medidas como fechamento de vias e desvios em pontos estratégicos para minimizar riscos e garantir segurança de condutores e pedestres.

    Mais de 75 agentes estão preparados para serem acionados pelo COP-BH e deslocarem-se a locais de risco em caso de chuva. A Defesa Civil avalia possibilidades de chuvas, envia alertas aos órgãos e à população, permitindo preparo antecipado das equipes de mobilidade.

    Os agentes monitoram rios e córregos e, quando acionados, fecham vias com sinalização móvel, orientando motoristas e pedestres sobre desvios e áreas de risco. Locais sujeitos a alagamentos contam com mais de 350 equipamentos de sinalização móvel e viaturas posicionadas em pontos estratégicos.

    O bloqueio antecipado do trânsito pode ocorrer mesmo sem lâmina d’água visível. Motoristas, motociclistas e pedestres devem respeitar a sinalização e orientações para evitar riscos.

    Informações em tempo real sobre trânsito e vias interditadas por alagamentos estão disponíveis no perfil do X “BH Mobilidade“.

    Dispositivos luminosos em locais com risco de alagamentos

    A BHTrans implanta dispositivos luminosos de alerta em pontos sujeitos a alagamentos, integrando ações preventivas para mobilidade segura no período chuvoso. O primeiro dispositivo entrou em operação em 2024, na Rua Joaquim Murtinho e Avenida Prudente de Morais, Bairro Santo Antônio.

    Outros locais com o sistema incluem Rua José Cleto (Palmares), Avenida Bernardo Vasconcelos com Avenida Clara Nunes (Renascença) e Avenida Amazonas com Rua Cura D’Ars e Avenida do Contorno (Prado).

    Os dispositivos indicam níveis de alerta:

    • Luz amarela piscante: atenção redobrada no período chuvoso.
    • Luz vermelha: trecho interditado por alagamento, não avançar.
    • Desligado: sem alerta no momento.

    Os dispositivos exibem a mensagem ‘Risco de inundação/ No vermelho, não avance’, reforçando a prevenção.

    Agentes de trânsito monitoram vias e podem acionar bloqueios em tempo real nos aplicativos de mobilidade, que atualizam rotas com alertas de bloqueio.

    Monitoramento no Centro de Operações de Belo Horizonte (COP-BH)

    O COP-BH coordena as ações do GGRDECE, reunindo informações e articulando órgãos municipais durante o período chuvoso e eventos climáticos severos. Belo Horizonte conta com protocolos integrados, avaliados e aperfeiçoados por exercícios, simulações e experiência em ocorrências reais.

    Com a ativação do GGRDECE, os protocolos são operacionalizados no COP-BH, onde representantes de diferentes órgãos compartilham informações em tempo real e apoiam decisões coordenadas.

    A estrutura tecnológica do Sistema de Proteção e Defesa Civil permite acompanhamento permanente das condições meteorológicas, áreas de risco e ocorrências. O Centro apoia a gestão integrada da pronta resposta e mobilização das equipes necessárias.

    Equipes da Defesa Civil, Superintendência de Mobilidade, Guarda Civil Municipal, BHTrans, SLU, Sudecap, Assistência Social, Saúde e outros órgãos atuam de forma articulada.

    A integração antecipa medidas preventivas, direciona recursos conforme necessidades e agiliza mobilização de equipes de campo, ampliando a capacidade de prevenção e resposta e reduzindo impactos climáticos extremos.

    Assistência e acolhimento à população afetada

    As iniciativas de amparo e acolhimento para a população impactada pelas chuvas serão ampliadas. Postos de Comando emergenciais registram famílias afetadas e levantam demandas individuais.

    Em caso de necessidade de deixar as casas, a recomendação inicial é buscar abrigo em residências de parentes ou amigos. Se não houver essa opção, unidades de acolhimento institucional serão acionadas para proteção emergencial e temporária.

    Serão disponibilizadas inicialmente cinco unidades para acolhimento emergencial imediato, com direcionamento conforme perfil dos usuários e em parceria com a Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil (SUPDEC). Esses locais contam com segurança, equipe técnica, espaços adequados, alimentação e itens de higiene.

    Medidas emergenciais incluem distribuição de colchões, cobertores, roupas de cama, lonas e gêneros alimentícios. Famílias poderão ser inseridas ou ter dados atualizados no Cadastro Único, garantindo acesso a benefícios sociais e programas de transferência de renda.

    Durante todo o período chuvoso, equipes da Prefeitura permanecem em plantão para atender solicitações da Defesa Civil e oferecer respostas ágeis às necessidades da população.

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